Eu posso deixar as coisas fluírem e me sentir apenas viva,como a atitude toda pede.Eu posso lutar contra o que eu sou.E a luta necessita coragem absurda porque deixar de ser o que é arranca partes suas que você gostaria de preservar.Ame - se ou odeie -se...qualquer de ambas coisas necessitam coragem.Eu não sei porque eu vim aqui dizer isso,porque o meu propósito inicial era escrever uma resenha engraçadissíma sobre o último livro da saga Crepúsculo,e não se engane eu não ia falar muito bem do livro.Mas é que vocês me pegaram numa semana meio pensativa demais.E pra ajudar eu estou escutando música acústica que sempre me coloca em um poço sem fundo de melancolia.Eu só fico pensando se eu gosto mais ou menos de mim,ou se eu me detesto ou se eu só não sei amar.E no andar da carruagem,eu já deveria saber que amar não é bem uma coisa que eu faço direito.Mas,eu acho que além de não me amar o suficiente,eu também não me enxergo.Como também não enxergo as pessoas.Como não enxergo o mundo ao meu redor como algo que eu posso carregar no meu coração,no meu bolso e vivê - lo de verdade.Eu não posso mudar o mundo como um dia eu verdadeiramente quis,porque eu nem sequer enxergo o mundo.Eu nem sequer me enxergo no mundo.
Acho que fico sensível demais quando ouço música e isso me carrega um pouco pra fora do mundão de meu Deus que eu vivo.Mas,eu sempre acho que a música cria o meu mundo,faz dele um pouco mais doce.Sou capaz de enxergar o mundo num acorde de guitarra e se eu sumir da face da terra e somente a música ficar...bem acho que eu ia adorar a idéia de não enfrentar o mundo ou apenas pôr uma música pra enfrentar pra mim.Covarde não?.Eu nunca disse que era corajosa e nunca levantei a bandeira do : "Não desista nunca".Até porque a gente desiste toda hora de um segundo que se foi,a gente sempre desiste de um sonho pra viver outro e levanto a bandeira do : "Você sempre desiste de alguma coisa.Grande ou pequena,então sentir falta ou fracasso não vai mudar absolutamente nada".Essa desistência se chama escolha.E todo mundo escolhe.Escolhe não enxergar,não amar,não ser destemido.A gente escolhe andar pra trás e não pra frente.A gente escolhe o mundo com tudo que ele tem ou prefere o seu próprio.
Alguma coisa me diz que eu não me enxergo tão bem.E não vejo os olhos de Deus em mim,na minha agonia.Agonia de que?.Eu tenho tudo no lugar e minha família é perfeita.Perfeita na forma de uma família,claro.Sabe se eu soubesse como caminhar sem sentir desnível nenhum,eu o faria.Se eu soubesse como olhar pra frente e ver cada pedaço de mim mesma flutuando perfeito,colocando - se junto com céu,as estrelas,o mar...encontrando nessas partículas todos os sentimentos que me foram tirados ou até aqueles que eu nunca vivi,eu poderia me olhar no espelho e saber a resposta para a pergunta que eu me faço todo dia.Eu me amo mais ou menos,eu me detesto ou eu simplesmente não sei amar?.Eu poderia ver cada partezinha minha projetando a minha resposta.Eu poderia saber.
Eu não sei metade do que eu sou.Eu não sei se sou corajosa,não sei se eu gosto da dor e de sentir pena de mim.E quer saber, isso é uma porra.Não sei se a minha ânsia de afastamento é normal ou é loucura.Não sei tanta coisa...acho que todos os meus erros são inocentes,afinal eu não me conheço nem um pouco.Mas talvez,eu procure tudo isso,eu goste de tudo isso.Eu goste de fazer papel de vítima...e não enxergo que isso não tá me trazendo coisas boas e nem me fazendo melhor.Eu sempre acho que é tudo ou nada,que não existe metade ódio e metade amor.Nunca acreditei em coisinhas pela metade e continuo achando que somos todos divididos em glória e em maldade.Mas quando eu me ponho contra a parede eu penso : Quais das minhas metades funciona melhor?.Eu devo gritar alguma coisa muito alto dentro de mim como todo mundo faz.E nem isso eu sei.
Porque eu sou tão aprendiz...e tão feliz no propósito de nunca enxergar.O que eu queria mais do que tudo?.Aprender a ver tudo,a sentir nos olhos aquilo que eu ceguei ou melhor,que eu nunca vi.Você já sentiu como se cenas passassem por você e você nem sequer as visse?... isso me deixa perturbada.E deixa pensando,sentindo aversão a minha própria cegueira idiota e a mim.
E eu não disse que estava totalmente absorta em mim mesma essa semana?.Pensando e voltando a pensar...e decidindo que é só o que eu posso fazer agora.PENSAR.E nunca encontrar nada no meu pensamento,nada no meu coração...e sem saber se é burrice,falta de percepção ou talvez,eu não deva mesmo ver.
Mas eu preciso ver.
d**b - Innocent - Raine Maida e Chantal Kreviazuk.
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