Pra começo de conversa eu quero dizer que eu ainda sou uma pessoa relativamente doce em alguns momentos.Sabe,bêbada por exemplo.A questão é que,no último ano eu vivi a fase de endurecimento mais triste do mundo.Sabe,quando você encara as coisas que a maioria das pessoas dizem pra você não fazer,como sendo a sua única saída?.O que eu quero dizer é que,todo mundo diz pra você ser flexível,porque bem,é assim que as coisas devem ser.E você se pega,aceitando que se não for inflexível nada vai ficar certinho e familiar dentro de você.Não importa o que o resto do mundo ache,se você não quiser perdoar e nem ser legal,você não será.Geralmente nessa fase,criamos uma redoma de vidro que é mais forte que aço.Agarramos aquilo que nos dá paz,ainda que temporiariamente e nos arrastamos para o núcleo dessa redoma.Vamos ferir.E vamos ser feridos de volta.E o choro que deveria nos amolecer,sai correndo.Bem,resumidamente é isso.
Há tempos eu não chorava,mas aconteceram duas coisas que me fizeram amolecer.Primeiro,um livro.Segundo,um casamento.Bem,vou começar falando do livro,porque eu simplesmente quebrei em milhões de pedaços lendo esse livro.Chama- se "Para Francisco" e é uma história real.Uma mulher perde o amor de sua vida de forma súbita quando ainda falta 2 meses para o tão sonhado bebê deles nascerem.E com isso,ela começa a escrever um blog para contar a ele e ao resto do mundo quem era exatamente o pai.Eu ia dizer que era um livro indispensável,porque mescla o que realmente importa,acontecimentos verdadeiros,lembranças que doem e acalentam no mesmo instante,no mesmo segundo.Eu ia dizer que é um daqueles livros que fazem a nossa alma ficar um pouquinho dourada...que têm doçura e perda.E em certo momento a perda é descrita com tanta doçura que o buraco que a gente carrega no meio do corpo,o nosso âmago,se retrai um pouco,pra depois dilatar.E
depois,pára pra que possamos admirar a autora,carrega - la no colo e dizer: "Pois é,ás vezes eu me sinto meio assim também."
Eu ia dizer,que eu me senti emocionada de uma forma que eu nunca poderia dizer,ou até mesmo explicar.Me tocou.Exatamente porque a perda vive na gente e gente que perde também.Mas,Cristiana não perdeu.Jamais.Isso não é um jogo,não é?.Ela ganhou um bebê lindo,fruto de um amor que dá inveja,mas é uma inveja boa,branca.Simplesmente,peguem um ônibus e vão a livraria mais próxima e o comprem.
Agora,eu vou falar do casamento.Fui ao casamento de uma das minhas melhores amigas,que se chama Amani.Ela aparece aqui no blog sempre,conhecida de vocês.É a minha primeira amiga casada e eu morri de empolgação.Sou super romântica e amo casamentos.Até ai,tudo bem.A questão é que não é um casamento normal.Tipo,padre e dj.Foi um casamento árabe.Além,de dançar até o pé doer músicas árabes ( que eu não entendi absolutamente nada.Se o cantor cantasse:"Pegue sua esfiha e venha para o salão,ponha um limão e não se esqueça do arguile pra terminar tudo legalzão.Viva o quibe ",eu ia continuar achando tudo lindo e dançar como se houvesse só esse dia pra fazer isso).A cerimônia era realizada por um sheik ( se eu não me engano) e toda em árabe.
Mas a entrada da minha amiga que fez toda a diferença.Mesmo não entendendo nada do que a música falava,eu me concentrei nela e chorei.É lindo ver a sua amiga vestida de branco,caminhando para um futuro brilhante com um cara que realmente vale a pena.Eu lembrei do momento em que ela entrou na sala,lembrei de cada coisa que vivemos juntas e chorei.Lembrei de como já fizemos planos de nos casar com os meninos do Rbd,ou com príncipes encantados e a vi,seguindo para o coração que batia do outro lado do salão,um coração que era dela e dele ao mesmo tempo.Ela encontrou o seu menino do Rbd e o seu príncipe encantado.E também o seu violeiro Julio.Ela encontrou o amor.E ele certamente encontrará nela a minha amiga querida,que eu amo e que eu prezo com absoluto zelo.Só posso dizer que encontrei perda,doçura e amor nesses últimos tempos.E quando um ano começa assim,vale a pena abrir até um sorriso.Encontrei uma perda que não dói em mim,mas faz
com que eu sinta alguma coisa.Encontrei a doçura transbordando em uma perda alheia e também encontrei doçura no meu coração.Encontrei amor e o vi flutuar entre o espaço que parece não existir entre um olhar,um sim e um "Enfim casados".
É bom,sentir que não endureci completamente.Deus,ainda não amoleci mesmo.Deixe - me ser uma pessoa nem muito doce e nem muito ácida.Prefiro assim.
Para quem estiver interessado no blog da Cristiana Guerra,autora de "Para Francisco" esse é o blog dela.
http://parafrancisco.blogspot.com/
d**b - Tchau,I have to go now - Jammil e umas noites.