Sem rumo.E sem um feliz natal também.

Talvez o que eu diga faça um enorme sentido pra você.Ou talvez seja o final de ano e essa mania horrorosa que ele tem de fazer com que perdemos uma parte racional nossa.
Não aparecem somente presentes pra comprar.Ou amigos secretos a ir.Não existe apenas votos de um próximo ano repleto de felicidades.Não existe momentos poéticos e inesquecíveis.Ou talvez,os meus não sejam.
Eu passei de ano.Viva.Então porque me sinto triste?.Porque eu fico tentando encontrar um motivo pra não estar tão bem quanto eu gostaria?.
Eu estou sem rumo.Eu não contava com um vestibular difícil ou com o enorme fato de que eu não sei absolutamente nada de política ou atualidades.Eu não contava em ser arremessada contra uma dúvida em forma de obstáculo chamado : "Será que eu sirvo mesmo pra ser uma jornalista?".Será que eu não quero somente o ofício de escrever sobre mim mesma,ser ouvida por mim,e deslanchar os ecos pelo resto do universo?.Ser ouvida,ainda que baixo,por alguém que se importe?.Só o ato de falar,falar,e falar?.
Não estar em busca de uma verdade que corre de mim.Só queria a paz das palavras,a salvação que dizê - las me impõe.Talvez,o meu lugar no mundo,aquilo que me dá prazer,paz e honestidade não tenha nada a ver com a faculdade de Jornalismo.
Olha só pra mim,eu nunca me senti assim.Eu tinha dúvidas e aí?.Todos temos.Mas,eu sabia que podia contornar.Até sentir que não poderia.E sentir que talvez o contorno fosse duro e tão pouco meu.O que eu quero dizer é que o meu rumo parece tão pouco consistente.É como um daqueles sonhos que eu tenho de abrir uma gravadora.Como se todo mundo hoje em dia comprasse cds.Como se todo mundo enxergasse a música além de propriamente o som.
Não dou conta.Sinceramente,não sou pseudo - intelectual.Não leio jornal e não acho que entendo coisa alguma sobre economia.
EU SÓ GOSTARIA DE ESCREVER.Sobre o que eu amo,quem eu amo,sobre uma verdade íntima que se esconde pertinho do meu coração.Quero falar sobre o que é pertinente,o que o mundo entende.Não sei o que é dissonância.Me processe.Não estou procurando ser quem eu não sou.Eu sou livros,drama,final feliz,música boa,honesta seja lá quem a interprete.Estou em busca de essências e não fatos.Talvez,o que tudo o que eu disse seja ridículo.Bem,estou sem saber o que fazer.Me diga alguém que entra em desespero e fala algo plausível?.
Meus passos não são exatamente os que eu buscava.Meus pés só não me parecem mais tão sinceros.
É o final de ano idiota.Todo mundo criando novas metas que duvido que serão cumpridas até maio do ano que vem.Todo mundo achando que ter rumos é a melhor coisa do mundo.É sim.Até você ter medo de o seu rumo,não ser mais tão seu.Então,olhe o seu rosto no espelho.Comece a estudar si mesmo,achar alguma coisa parecida com resposta,alguma coisa que te diga o que fazer.Se você achar o seu rumo entre o seu nariz e a sua boca,me avise.
Já procurei,achei que tivesse achado e ele simplesmente fugiu.Ás vezes acho que não vou agüentar.Que vou simplesmente abrir uma padaria e encher a pança de pão doce com café.Que os meus rumos,os meus planos são só fantasias.Ainda olho o meu rosto no espelho.Ainda escuto as minhas palavras.Aceito o meu talento,mesmo achando que ele nunca vai deixar de ser uma parte minha que nunca vai emergir.O que eu faço com a minha falta de intelectualismo alternativo?.Desisto?Traço novos rumos?.
Ah,é tarde.Madrugada.Quero dormir e pensar na minha gravadora de cd,lançando o cd novo da Tracy Chapman,no meu livro na prateleira de alguma livraria,no meu sucesso,no meu rumo que parecia consistente até domingo.Eu sou uma sonhadora.Sonhadora sem rumo,mas não me encha a saco.Meus olhos estão pesados,meus pés gelados,é final de ano,eu odeio papai noel e quero simplesmente dormir.Será que sou capaz disso?.Não somente de dormir.Especificamente de agüentar?.De seguir com o que eu desejo?.Bem,tenho que dormir.Se amanhã não queimar a resposta na minha garganta,ainda existe o próximo dia.Tenho a vida inteira pra me convencer.

E não me convenço rápido.E um Feliz Natal.Grande coisa.Tanto faz.Nem ligo.Morra.

d**b - The little things - Danny Elfmann.

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